Os momentos mais emocionantes da visita do Dr. Albert Sabin a baixada santista aconteceram na Casa da Esperança. A sinceridade do acolhimento ao descobri-dor da vacina oral antipólio, uma das mais importantes figuras desse século no cami-nho da pesquisa medica transpareceu no discurso do Presidente Luiz Yanagi que não conteve as lagrimas e foi pessoal-mente confortado pelo cientista, também comovido.
Luiz Shiguetoshi Yanagi, naqueles instantes, traduziu os sentimentos e a admiração de todos pela figura humilde que nos honrava. Albert Sabin, de volta aos Estados Unidos, deve ter levado consigo profunda emoção, ante a home-nagem recebida na Casa da Esperança.
Uma placa, para recordar a presença marcante de um benfeitor da humanidade, uma singela bandeja confeccionada pelos deficientes, um discurso interrompido pelo pranto da gratidão, uma pequena visita ás modestas dependências desta casa. Estas coisas, vividas no seu exato momento, persistirão na memória de todos. Quem poderá esquecer a bonita apresentação do coral da FEBEM? Ou da surpresa de Sabin ao ler o seu nome na porta da marcenaria sentindo o calor do reconhecimento de tantas pessoas emocionadas?
Sabin , no I Simpósio, sobre a Casa da Esperança:
"Voltada ainda para os deficientes, embora de outras origens patalógicas mas igualmente ostentando marcas e sequelas que os descriminam perante a sociedade, a exigir tratamento e reabilitação possível, a Casa da Esperança continua buscando a solução de problemas que, como a poliomielite exigiu tempos, pedem hoje cooperação desinteressada e o concurso de especialistas muito devotados ".
Abertura do Simpósio
Presidente de honra do I Simpósio Santista do Deficiente Físico e Mental , o Dr. Albert Sabin, insigne presença no marcante acontecimento, despertou muita emoção a o referir-se a Casa da Esperança e ao Rotary Club de Santos oferecendo colaboração pessoal. Tais palavras, que marcaram a abertura do Simpósio, foram as seguintes:
"Estou muito feliz, porque me sinto também um pouco brasileiro, de poder oferecer a minha colaboração ao I Simpósio Santista do Deficiente Físico e Mental, organizado pelo Rotary Club de Santos e pela a Casa da Esperança desta cidade. Soube, por amigos, que os rotarianos santistas fundaram e mantêm, desde 1958, uma obra pioneira que inicialmente atendia aos portadores de sequelas, num contexto em que a polio-mielite representava ameaça e preocupava, como em todo o mundo as autoridades médicas e as famílias da região.
Voltada ainda para os deficientes, embora de outras origens patalógicas, mas igualmente ostentando marcas e sequelas que os descriminam perante a sociedade a exigir tratamento e reabilitação possível a Casa da Esperança continua buscando a solução de problemas que como a poliomielite igualmente exigiu noutros tempos, pedem hoje cooperação desinte-ressada e o concurso de especialistas devotados.
Este Simpósio como a presença de tantos colegas ilustres de inegável brilho cientifico, é uma prova desse interesse e dessa boa vontade em prestar auxilio aos deficientes.
É por isso que estou aqui unindo os meus esforços aos de tantas pessoas que trabalham e estudam para encontrar caminhos viáveis, do ponto de vista da Medicina e adequados as estruturas sociais brasileiras.
Entendo que todos somos responsáveis pelos direitos dos excepcionais, deficientes de qualquer tipo, que reclamam atenção, paciência e sobretudo recursos humanos voltados para tanta necessidade, que de certo modo dispõe contra os meios utilizados pelo homem para resolver essas dificuldades especificas.Tenho a convicção pessoal de este Simpósio oferecerá uma boa contribuição ao estudo do problema, ajudando a esclarecer e alertar os setores de maior responsabilidade. Estou certo dos elevados propósitos do Rotary Club de Santos e da Casa da Esperança, fui informado do trabalho pioneiro nesta cidade de alguns abnegados rotarianos, entre eles o médico Samuel Augusto Leão de Moura.
Estou também ciente porque estive no Brasil em muitas oportunidades, da competência e do espírito filantrópico dos médicos brasileiros, aqui muito bem representados por tantas figuras de renome no campo em que atuam.
Desejo sucesso a este Simpósio e ofereço a minha modestíssima colaboração no que for julgado necessário. E cumprimento com bastante calor as duas entidades que o promovem pela iniciativa oportuna e feliz de atualizar o que sabemos sobre os deficientes físicos e mentais".
Álbum de fotos de Albert Sabin na Casa da Esperança
Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro — Praia Vermelha em 1920.
Recebeu concomitantemente o seu diploma de conclusão do curso e seu doutoramento, tendo recebido como prêmio a impressão da tese, pela excelência do seu currículo universitário.
Recém formado presta concurso para a Saúde Pública, no Rio, obtém a totalidade dos pontos, mas é preterido por questões políticas, seu pai era política contrária ao governo.
Decepcionado vem para Santos, visitar sua noiva e aqui se radica, para o seu bem e para a cidade que abraçou como sua, tendo recebido o título de cidadão Santista.
Leão de Moura sempre se distinguiu pela ética e por sua preocupação com os menos favorecidos, que desde sua vida estudantil foi marca de sua personalidade — com o consentimento de seus pais, passou a um primo, seu colega de turma a sua mesada, e se engaja no serviço de vacinação contra a Varíola, que grassava naquela época — mas para visitar a noiva tornou-se propagandista da Cia. Telefônica; os proventos eram religiosamente guardados, até atingirem o montante de sua passagem de 2ª classe. Passava em Santos apenas algumas horas, pois a faculdade o esperava às 8 h. de segunda-feira.
Aos 40 anos, refaz esse mesmo percurso durante 2 anos, sai aos sábados a noite para passar o domingo junto ao seu pai, enfermo, e retorna na mesma noite. Do que nunca se arrependeu.
No 2º ano da faculdade, sua mãe se condói dum colega seu, que ia deixar os estudos, por questões financeiras: — “Diga a ele que na casa que vivem 6 filhos, viverá o 7º e assim compartilhando dos mesmos livros, um ilustre e conceituado intelectual se formou. Como médico e rotariano, foi fundador do Rotary Club de Santos, tendo sido Presidente por 4 vezes e Governador quando existia no Brasil um só Distrito que compreendia todos os clubes de norte a sul do país. Sempre esteve ligado a todos os problemas de saúde da cidade. Assim trabalhou para a construção do pavilhão Santos, no leprosário Santo Ângelo — no sanatório para crianças tuberculosas em Campos do Jordão. Foi da Diretoria do Asilo dos Inválidos de Santos. Médico e fundador da Assistência ao Litoral de Anchieta e responsável pela campanha da cabra, cujo leite vinha substituir o leite materno, tão deficiente nesse setor.
Há detalhes e situações da vida humanitária de Leão de Moura, que nos deixam ver a sua atuação como médico, católico e rotariano atuante.
Mas a sua maior obra foi a Casa da Esperança.
Ele ouviu o clamor de sua mulher Evangelina mais conhecida como Vanjú, em favor do atendimento às crianças aleijadas, (naquele tempo esse termo não tinha um caráter agressivo).
A idéia foi levada para os rotarianos que acreditaram no coração desta mulher sensível, eficaz, inteligente e culta, mas que se ocultava debaixo das folhas da humildade, e por isso foi chamada da Violeta da Casa da Esperança.
Vanjú foi o braço direito de Leão de Moura nessa obra que nasceu para atender as crianças com deformidades físicas, mas vencida a batalha contra a poliomielite, passa atender as crianças com todas as deficiências físicas ou mentais, buscando integrá-las à sociedade.
São anos de luta, são anos de esforços que mereceram o prêmio Bem Eficiente. São anos de cooperação da sociedade santista que compreendeu o valor desse trabalho em favor dos menos favorecidos pela saúde.
SAMUEL AUGUSTO LEÃO DE MOURA
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